Acordes para o amor
Trilha sonora: All you need is love – The Beatles
O amor é filme, eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama. O amor é bossa nova. O amor é azul como o mar azul.
O amor deixa um dia nublado com cara de sol, os pássaros mais cantantes, a primavera mais florida. Ele deixa os casais com sorrisos largos e suspiros intermináveis. O sorvete fica mais gostoso, a pele fica mais macia. O tempo é seu maior inimigo e o telefone é seu maior aliado. O amor mexe com a sua cabeça e te deixa assim.
Assim? Como assim “assim”? Pra não dizer que só falei das flores, o amor também é ferida que dói e não se sente. É. Às vezes, de tanto olhar para o arco-íris, não se enxerga o penhasco cinco passos à frente. O amor, de tão inebriante, causa torpor. O brega passa a ter sentido, o meloso passa a ser romântico, o outro passa a ser perfeito. O amor chega a extremos.
Vide Julieta e seu Romeu. Vide Lennon e Yoko. Mas não se esqueça de Bentinho e Capitu, de Otelo e Desdêmona. O amor, às vezes, fala mais alto que o bom senso. Por amor, tem quem larga tudo: carreira, dinheiro e canudo.
E ainda há quem diga para tocar uma balada do amor inabalável. Inabalável? E quando um domingo no parque termina com a faca e a rosa vermelha na mão? O amor passa a ter cheiro de vinagre e cigarro. O amor passa a soar como heavy metal e torna-se de azul do mar para azul petróleo.
Ainda assim, todas as atitudes ditas “feitas por amor” têm defesa. Afinal, quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? Quem – mesmo em sã consciência de todas as facetas do amor – numa noite sem luar, nunca se pegou pensando “onde está meu amor?”.
É, não tem jeito. Tão contrário a si é o mesmo amor, e sem ele eu nada seria…
Eu uso óculos

Todo mundo conhece a história do Shrek, né. A princesinha que se encanta pelo ogro e os dois vivem felizes para sempre. Então… minha história é parecida. Não que eu seja uma princesa (apesar do meu pai insistir em dizer que sou), mas só eu acho meu ogro lindo. Sabe como é né. Quem ama o feio, bonito lhe parece.
Sabe aquele menino que nem penteia o cabelo pra ir à faculdade? Que não parece se preocupar com nada além do clima no final de semana? Camiseta larga, shorts, tênis desamarrado e óculos escuros, com aquele estilo de malandro (mas ele não tenta ser!). Pois é… esse é o Feio. Não sei o motivo desse apelido ridículo que minhas amigas deram a ele, já que ele é lindo. Mas enfim… o apelido pegou e agora é tarde pra reclamar.
Mas o problema é o seguinte: a princesa (eu!) se encantou pelo ogro (lindo! Ou Feio…), porééééém, o ogro nem percebe que a tal princesa existe. Céus! Como assim? Eu já tropecei na frente dele, fiz caretas, usei uma orelha de Shrek (é… pois é…), e nada! Isso porque nós estudamos na mesma faculdade, moramos na mesma rua e temos amigos em comum. Por que ele não me olha?
Já pensei em várias possibilidades. Primeiro: talvez eu seja muito feia pra ele. Mas ninguém ignora uma pessoa por sua falta de beleza. Segundo: talvez ele me odeie sem me conhecer. Mas acho mais provável que ele nem lembre que eu existo mesmo. Portanto, acho que preciso me tornar uma princesa de verdade, quem sabe ele me olhe? Tá, viajei…
Aí aquela música do Paralamas do Sucesso virou meu hit: “porque você não olha pra mim? Por que você diz sempre que não? Por que você não olha pra mim? Por trás dessas lentes também bate um coração.”. Mas eu já tentei usar óculos, tirar os óculos, já andei do lado dele pelas ruas paulistanas, sentindo seu perfume, conversando com seu amigo, e ele nem tchum!
Tô com problemas. E dessa vez é sério. O que fazer? Já me falaram pra entrevistá-lo para um trabalho de um certo professor que usa botinas, e assim conseguir seu telefone. Mas qual seria o tema da entrevista? “O que você tem contra mim?”. Não… não sou tão cara de pau. Portanto, estou aceitando sugestões dos leitores. Pendurar uma melancia na cabeça, não vale. Até porque se ele não me olhou com uma orelha de Shrek, não vai ser a melancia que vai me salvar. Acho que amanhã, quando entrar no elevador com ele, I´m sooooo gonna cutucar o rapaz e gritar: “ei… olha pra baixo!”.
Malandros que tentam ser…
Trilha Sonora: Vai Tomar no Cu – Cris Nicolotti
No dia do aniversário do Godofredo, resolvi dedicar o post para dois tipos especiais de homens que cercam a nossa sociedade. Espécies peculiares que, sabe-se lá por qual motivo, não conseguem deixar as mulheres em paz. São eles: Waldemar e Valdsrockney.
O Waldemar é aquele cara que você conheceu tempos atrás. Aparentemente simpático, cativa a atenção de uma menina. Até que essa garota começa a vê-lo com outros olhos e até aí tudo bem, porque ele não é obrigado a enxergá-la da mesma forma. Mas um belo dia, ela descobre que é muita areia pro caminhãozinho dele e o esquece. E é aí que o verdadeiro Waldemar entra em cena. Por certo tempo, ele se recusa a acreditar que a garota não gosta mais dele, embora muita gente comprove que ele é parte do passado. Depois disso, ele passa a marcar presença na bina do Orkut da menina, dia após dia. O infeliz ainda cria um perfil falso, mas é tão bobinho que se esquece de desativá-lo. De repente, o tratamento que ela recebe por parte do Waldemar muda da água pro vinho. Ele passa a perseguir fazendo piadinhas sem graça ou simplesmente aparenta ser uma pessoa boa. E ainda por cima, faz tudo isso ignorando a cara dela de desprezo, de pena e de arrependimento. É triste, mas é real. Querido Waldemar, você tem problemas. E problemas sérios! Se eu fosse você, me mudaria HOJE para Plutão. O planeta que nem mais planeta é serve para você, que ainda está longe de ser um homem de verdade.
Já o Valdsrockney é aquele seu amigo de longa data. Você sempre cogitou ter alguma coisa com ele, mas quando acontece você percebe que não era bem aquilo que você esperava. Além disso, a espécie vive dando mancadas. Então, você inventa uma desculpa atrás da outra para ele desencanar de você. Só que ele NÃO desiste. Pede desculpas por tudo que fez, diz que está arrependido e que vai mudar. No fundo, você tem pena dele. Pena porque você conhece o Valdsrockney desde que se entende por gente e não sabe como dizer pra ele que você quer alguém melhor. A solução para este caso é bem complexa (como diria uma amiga minha), mas podemos mandar uns conselhos para ele. Valdsrockney, procure alguém que te queira de verdade e entenda PELO AMOR DE DEUS que essa pessoa pela qual você se interessa está mais do que cansada de te dar chances e de acreditar nas besteiras que você fala. Se precisar, procure uma ajuda médica ou um tratamento especial para o trauma não se intensificar, certo?
Waldemar e Valdsrockney, isto é um apelo. Parem de tentar aparentar uma figura de malandro. Vocês podem ser o que for, menos malandros. Entendam que quando uma mulher toma uma decisão, é praticamente IMPOSSÍVEL fazê-la mudar de idéia. Toquem a vida de vocês, bola pra frente e, POR FAVOR, deixem as pessoas em paz.
Aliás, Waldemar e Valdsrockney, peço licença ao Robbie Williams para dizer a vocês um trecho da música Sexed Up: “I hope you blow away³!!”
Sobre a inutilidade do dia corrente.
Trilha Sonora: Cindy e Bert – Domingo
Tudo bem, tudo bem. Todo mundo tá cansado de saber que domingo é o dia mais inútil³ que existe na semana. Resta entender os motivos.
Pra começar, domingo não é feira, apesar de ter feira de domingo. E os trocadilhos são mais válidos aos domingos do que em qualquer dia da semana. Principalmente porque domingo tem almoço de domingo, e todos aqueles pais, avós, primos, crianças pentelhas correndo e gritando pra todo lado da casa sem o menor motivo, e claro, aquele tio espertinho que quer dar uma de engraçado e começa com os trocadilhos e piadas sem graça. E claro, todo mundo tem que rir pra parecer simpático.
Pra segundar, domingo é aquele dia em que ninguém tem vontade de fazer nada. E mesmo que tivesse, não conseguiria. Comércio de rua e nada é a mesma coisa; shopping só abre às duas – e lota, porque todos os largados que não têm almoço de família e têm preguiça de cozinhar apinham o shopping pra almoçar –; sair de noite é impossível, já que segunda-feira é feira e é dia de branco. E de negro, índio e todo mundo que trabalha (já que eu não estou nem um pouco a fim de ser linchada por partidários das cotas raciais).
Em terceiro lugar, domingo é aquele dia que todo mundo passa sentado na frente do computador fazendo nada³. Bom, isso é óbvio né. E o dia inteiro, porque é claro que ninguém deixa nenhum trabalho pra última hora, então ninguém tem que parir duas páginas às dez da noite do domingo porque lembrou que “Ai meu Deus, é pra amanhã!”. E falando em Deus, domingo é o sétimo dia, né, gente. E se até Ele descansou, por que é que a gente não pode?Como já diziam os sábios (ou não) do Cats Gone Crazy:
“Hoje é domingo, estão todos dormindo
Esqueça os amigos, é mais um domingo!
Fui na vovó, vi TV e comi
Me sinto tão só, é melhor eu dormir
Pois hoje é
Pois hoje é
Pois hoje é domingo!”
(Postado na manhã de segunda-feira devido a problemas técnicos)
Freak show
Trilha sonora: Barbie girl – Aqua
Hoje estou inspiradíssima. Meu dia foi um show de horror. Explico.
Como se não bastasse ter que acordar cedo pra assistir uma aula inútil, ainda tive que conviver com seres muito esquisitos. Uma perua fêmea (sim, porque na minha faculdade não há perus… no máximo “perua macho”), com síndrome de Kelly Key querendo ser Madonna. Muito complexo pra você entender sem ver. Uma tentativa de emo, com direito a cabelo roxo, sapato de oncinha, blusa cinza e calça vermelha. Além do tio do xerox que demora exatamente 47 minutos pra colar um cartaz, ou do moço esquisito que usa uma calça feminina que deixa seu corpo parecendo um panetone (se fosse na FAAP, seria um muffin), com as banhas saltando, desesperadas por ar, coitadas.
Enfim… tudo isso me fez lembrar da imagem que estragou meu último domingo. Imagine: Uaneça (sim, Wanessa Camargo), no Faustão, com o seu cabelo de Ana Luisa Cavalcanti, sua gengiva de Zilu e seu vestido arco-íris (até aí, normal, né). Eis que vejo um objeto em sua mão: um pandeiro!
Deus! É o fim! Wanessa Camargo, filhinha de Zezé, sobrinha de Luciano, além de soltar guinchos tentando cantar, ainda toca pandeiro? Como assim? Agora que casou vai virar pagodeira? Ou não consegue cantar ao vivo sem ter alguma coisa pra marcar o ritmo? O engraçado é que seu pandeiro não fazia a mínima diferença na música, por misericórdia divina. É claro que logo mudei de canal, mas já era tarde. Eu já estava traumatizada.
É por essas e outras que meus filhos não assistirão Faustão. E muito menos freqüentarão uma certa faculdade com uma certa antena.
Vale deixar aqui o link do Brogui da moça: http://wanessa.camargo.blog.uol.com.br/. Observem as fotos! Como é linda a versão marciana de Ana Luisa Cavalcanti!
Já dizia Pedra Letícia: “Que brega…”
Preço do pãozinho enlouquece terceira idade
Trilha sonora: Roberto Carlos – Pega ladrão
Neste país onde assaltos acontecem todo dia em pequena e grande escala, existem pessoas aproveitadoras a cada esquina à espreita de outras inocentes, ingênuas ou apenas desavisadas.
Uma espécie que está em aparente “boom” são as velhinhas. Não, não me interpretem mal, eu adoro aquelas velhinhas com cara de vovó legal sempre com histórias pra contar e um pão doce no forno. O problema são as velhas-rapina. Assim como gaviões, elas esperam seu menor descuido para alcançar seus objetivos. Vamos a um caso hipotético (ou não):
Cenário: uma padaria próxima à Avenida Paulista, coisa de nível.
Personagens: A universitária e a velha.
Cena 1, tomada 1. Claquete. A universitária entra na padaria. À frente do balcão está a velhinha, pequena, com seu pequeno porta-moedas, indecisa. A universitária aguarda a escolha da mulher. Quinze minutos depois, ela aponta o que quer, pesa, pega a nota, vai para o caixa. A universitária pede seu pão francês, pesa, pega a nota, vai para o caixa.
Cena 2. A velha começa a dar moeda por moeda o valor de sua compra. Insiste em passar uma moeda de um centavo – um centavo! – alegando ser de cinco. Vai contando “dez, vinte, vinte e cinco…” Enquanto espera, a universitária já vai separando seus trocados também.
Cena 3. Atrapalhada com sua bolsa, cadernos, jaqueta, carteira, saco de pão e moedas nas mãos, a universitária deixa cair sua moeda de 50 centavos – cinqüenta centavos!! – e, num átimo, exclama: “Ah, minha moeda!”.
Cena 4. A velha vira para a universitária, vira para a moeda, vira para a universitária, abaixa em direção da moeda. A universitária pensa: “tadinha, não precisa abaixar…”
Cena 5. A velha pega a moeda e, sem titubear, continua a conta “vinte e cinco, SETENTA E CINCO…” Pára tudo³! Como assim???? Ela descaradamente pagou o próprio pão com a moeda da universitária!!! E quando reparou na cara de surpresa e choque de todos, tratou de ir embora rapidinho! Pode??
Olha, minha senhora….a situação dos aposentados tá uma tragédia, mas a dos universitários também tá complicada….Por mais que a honestidade não esteja na moda, às vezes é bom continuar démodé. Será ela a mãe de Renan Calheiros?
É…já dizia o Seu Lili…”Prefiro ter um filho VIADO do que ter um filho velha!“.
O homem mané
Trilha Sonora: Vem ni mim – Dado Dolabella
Eu tenho essa mania de classificar os homens. Uns são extremamente inseguros e carentes, só falam de amor e vivem sofrendo. Outros são seguros, cheios de uma masculinidade exagerada que transborda em cervejas e jogos de futebol. E existe uma terceira espécie de homem: os manés.
O mané é tão inseguro que tem medo de mostrar sua insegurança. Seu sonho é fazer parte da turma dos muito machos. Quer esnobar uma mulher pra jogar bilhar com os amigos só pra dizer que ignorou uma gata. Coisa que nem os seguros e nem os inseguros fariam.
O mané xaveca até um poste se ele der mole. Se não der mole também. Quando consegue uma mulher, quer mostrar pra todo mundo. Até a infeliz perceber que caiu na conversa de um babaca e querer esconder esse deslize de todos pro resto da vida.
Todos os tipos de homem convivem em plena harmonia. Mas eles reconhecem um mané de longe. É só prestar atenção no que ele fala, que já fica claro que ele é um mané: “Aquela gostosa não pára de olhar pra mim”. “Eu sou mais foda que o cruzamento do Chuck Norris com o Bruce Willis”. Se toca, mané! Você é feio e aquela gostosa é um traveco! Deixa o Chuck Norris ouvir isso… você não tem medo do roundhouse quick não? Claro que não! O mané levanta mil quilos no supino.
Agora, analisando o lado psicológico do caso, o mané deve sofrer. Eu tenho dó dele. Sua insegurança ultrapassa todos os limites. Ele só se sente à vontade na sua casa, com sua família, onde pode parar de fingir ser o que não é, e tomar o leite morno com ovomaltine que só sua mãe sabe preparar.
Ele pensa que é malandro. Acha que tem moral. Mas na verdade não é nada do que as mulheres querem. E tudo que ele quer é uma mulher. Infelizmente, esse distúrbio é muito sério e muito raramente revertido. Já dizia o poeta: “se o cara nasce mané, cresce mané, morre mané”. MANÉ!
Cubo, cubóide, cubículo, cubicular.
Este blog é resultado de reuniões do trio de quatro meninas-moça mais malandras que o Boça, mais gracinhas que a Hebe, mais sexies que o Elvis, mais críticas que o Ronaldo Ésper e mais perigosas que o Chuck Norris. Nem tanto! Perdão, Chuck Norris.
Nossa inspiração vem das empresas de transporte coletivo, dos looks cool dos paulistanos, das crises de abstinência de trufas, das loucuras dos homens e, principalmente, do único/absurdo/incompreensível/insano universo feminino.
Aqui, os leitores encontrarão reflexões, pensamentos e histórias “hipotéticas” (ou não) ao cubo. Pois, assim como bixetes, resolvemos mudar nossos habitus, e para isso, nada melhor do que relatar a confusão do dia-a-dia, o sufoco de uma dúvida e a dor de qualquer coisa.
Com as bênçãos de nosso patrono, Tomaž Sevšek, e com o amor incondicional de nosso mascote, Osmar, brindamos com taças de Cosmopolitan e cortamos a fita lilás de inauguração de nosso blog.
Aprecie sem moderação³.
Que brega…
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