Onde o mundo vai parar?

Trilha Sonora: Wouldn’t it be nice? The Beach Boys

 

Se ela não beija mais de um na balada, não volta feliz pra casa – nem que seja o cara que sua amiga está gostando. Ele tem o lema “barango, mas não zero”. Aquela ali perdeu a virgindade pra um cara que conheceu num bar. Outra perdeu no motel, com um desconhecido do chat na internet. Aquele lá leva as meninas pro carro do pai – se estiver sem proteção, tudo bem, continua mesmo assim. Essa já pensou que estava grávida e estava em dúvida entre dois pais, talvez três. Esse já achou que ia ser pai duas vezes. Outra, então, é mãe solteira de um menino de quatro meses e não abre mão de sair sexta, sábado e domingo pra dançar até o chão com o primeiro que oferece uma bebida.

 

O namorado de uma semana daquela ali é o amor eterno da vida dela – assim como foram os cinco últimos do semestre passado. Esse aqui então não gosta da ficante, mas não termina porque acha que logo logo ela vai pra cama com ele. Os dois ali de 19 anos namoram há três meses e vão casar – “Se não der certo, tudo bem, fazer o quê”, dizem com ar de apaixonado. Aquela lá diz com orgulho “solteira sim, sozinha nunca”. Essa outra diz que quer ser freira – mas não hesita em mentir para a mãe que está indo pra igreja enquanto vai dormir com o menino que vigia carros na rua da mesma (“não estou deixando de ir pro caminho da igreja…”).

 

Só eu que me dou o respeito, que penso que o menino tem que ser O cara e não só UM cara? Só eu que acho que coisas como auto-respeito, cavalheirismo e pureza são coisas que não podiam estar entrando em extinção?

 

Eu me valorizo. Eu sonho encontrar um cara que me ame de verdade. Eu quero caminhar de mãos dadas e inventar o futuro. Eu quero esperar o momento certo. Eu pretendo casar com a certeza de que será pra sempre. Eu escolho, eu peso, eu sou tentada, eu analiso, eu recuso, eu sinto. Caretice? Irreal? Ilusão? Papo de encalhada? Cabeça nos anos 40?

 

Ser centrada está fora de moda? Só eu penso que a juventude está perdida?

 

Minha moral vem em primeiro lugar.

 

(Essas histórias não são invenções da minha cabeça. Conheço cada uma dessas pessoas)

Agosto 2, 2008. Uncategorized.

Um Comentário

  1. Cláu respondeu:

    Minha querida, é isso aí!

    É como diz o bom e jovem Coringa: parece que vamos precisar de mais celas acolchoadas nessa cidade, as pessoas estão simplesmente ficando malucas!

    Malucas e, pior de tudo, fracas e um tanto quanto ingênuas. Achando que “pegar” vai ser a solução de todos os problemas, de todos os males, a certeza da felicidade independente. Chega a ser gracioso!, tanto idealismo.

    Bom, talvez pegar-por-pegar até seja a solução de alguns problemas. Eu, se pegasse mais, talvez não tivesse tantos platôs por aí. Mas talvez não. Talvez a solução seja, olha só!, mas que coisa inusitada, olhar pro próprio umbigo. Entender antes de pegar. Apego e simpatia antes do amor instantâneo. Esperar a água ferver cinco minutos antes de comer o miojo, será que ninguém mais pratica esse hábito?

    Mas, quem sou eu? Ora, eu sou um outro tipo de idealista, que não pega ninguém, não é mesmo? Eu dou valor a coisas idiotas tipo saber o nome do bonitinho ali do canto. Mas bah, besteira. Ninguém precisa dessas coisas não. Eles sabem o que estão fazendo, são espertões (sempre são!), os pegadores.

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