“Eu quero a cena de um artista de cinema…”

Trilha Sonora: Musiquinha – Rafinha

 

“…eu quero a cena onde eu possa brilhar”, já cantava Marcelo Camelo no tema do filme Lisbela. Eu também quero. Quero ter alguém que me diga “você pula, eu pulo”, quero encher uma praça com narcisos, quero sair cantando e pulando em poças d’água num dia de chuva.

 

Quero ser madrinha de casamento de mais de 27 amigas, quero ter meu vestido de noiva também.  Quero sair numa road-trip nem que seja numa Kombi amarela caindo aos pedaços. Quero completar a minha “lista da bota” no Everest, quem sabe.

 

Em uma conversa de corredor hoje na faculdade uma amiga que faz teatro disse: “temos inveja dos personagens de teatro e cinema”. E temos mesmo. Queremos aquele amor além da vida, queremos aquelas festas imponentes, queremos a aventura empolgante. Por mais estranho que pareça, também queremos aquele drama único, queremos aquele medo sobrenatural de arrepiar os pêlos da nuca, queremos solucionar um caso misterioso.

 

Qual a graça de ir pro mesmo trabalho de todo dia e não para ir caçar tesouros escondidos? De pegar o elevador só pra chegar no andar da faculdade e não pra se declarar a alguém? De correr na rua atrás do ônibus pra voltar pra casa e não atrás do táxi que vai te levar para o baile mais high society do ano?

 

Mas não vivemos em Hollywood. Não vemos vários Richard Gere de smoking com um buquê de rosas vermelhas por aí e nem mandamos duendes de jardim para a França. Nós trancamos o carro, tomamos banho, comemos, dormimos vendo TV no sábado à noite, olhamos para a estrada enquanto conversamos e ao mesmo tempo dirigimos, damos respostas nada elaboradas em momentos que mereciam uma resposta de efeito.

 

E ainda assim, além da certeza da incerteza da vida, além da convicção de que invejamos algo que nunca iremos conseguir, sonhamos. Imaginamos a declaração perfeita, o sorriso inesquecível, o medo gostoso. Aquele que nos faz dizer que “quando o coração estiver batendo junto/ Antes de escurecer, a gente corre e salva o mundo”. Quem sabe ainda dá?

 

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maio 19, 2008. Uncategorized. 1 comentário.

Esse seu olhar…

Trilha Sonora: Malemolência – Céu

 

Hoje em dia, ganhar um beijo é tão fácil… O número de pessoas adeptas à proliferação do sapinho cresce a cada segundo. E o pior é que a idade dessas pessoas diminui cada vez mais. Tem muita criança por aí que beijou mais gente que eu.

Mas não me entendam mal. Não quero que isso soe como um protesto anti-beijo na boca. Aliás, muito pelo contrário. Sempre fui a favor e continuo sendo, mas acho que algumas coisas devem ser repensadas.

Primeiro, quais são os requisitos pra se beijar na boca nos dias de hoje? O cara olha a menina, a menina olha o cara. Bonitinho, bonitinha, legal. Chega, beija. Tem bafo? Não. Beija de novo. Tá bêbada? Passa a mão. Se não tá, pelo menos tenta, talvez consiga. “Como é seu nome mesmo”? Natália. “Ah, legal. Prazer. Falo aê!” E esse foi o primeiro beijo de um casal. Muito provavelmente o último também.

Quando eu era mais nova, depois de um beijo assim, que talvez o menino besta nem se lembrasse depois, a menina ficava meio sonhando com ele. “Será que vou encontrar ele de novo? Será que ele vai me achar no ICQ?” Hoje, as meninas já nascem imunes à dor de corna. No máximo adicionam o cara no Orkut só pra aumentar o número de amigos e já era. Já dizem os sábios contemporâneos: “foi bom, mas foi ontem”.

Aí penso que talvez essas meninas sejam mais desenvolvidas que eu. Até hoje ainda espero o cara me olhar, fico querendo conhecer direito, saber como pensa, como é, como não é. E como é ruim não saber se alguém se lembra de você. Lembro de um menino que me enganava quando eu estava na oitava série. Como era ruim descobrir que ele tinha beijado outra só, repito, SÓ uma semana depois de ter me beijado. Como assim ele tinha me esquecido em míseros sete dias? Hoje se beija sete em uma mísera hora de micareta.

Então me lembrei da Céu, que diz: “o que é um beijo se eu posso ter o seu olhar”? E fiquei feliz por saber que ainda tem gente pensando assim. Eu, por exemplo, gosto de olhares que me deixem ser saber pra onde olhar. E é triste saber que a maioria das meninas de hoje nem se importa com um olhar desse, que te deixa meio tonta, sem ar, sem graça e causa arrepios. Elas, hoje, se interessam mais por, hãm, outros tipos de arrepios. E, na minha opinião, nem esses elas conhecem direito.

Enfim… Vamos apoiar as conversinhas, os olhares, as brincadeiras, os sussurros, a expectativa, a vontade! Afinal… Quem disse que passar vontade não é bom?

maio 8, 2008. Uncategorized. 3 comentários.

O dia do rosa.

 Trilha Sonora: Vida cor-de-rosa – Amado Batista

 

Hoje o mundo resolveu ser cor-de-rosa.

 

Não no sentido de que tudo corresse às mil maravilhas – não que não tenha tudo corrido bem no dia, whatever – mas no sentido de que… as pessoas usavam rosa. As flores eram cor-de-rosa. As bolsas, os sapatos, os cartazes. Minhas meias eram cor-de-rosa!

 

Entrou uma moça no ônibus com uma blusa de lã rosa bebê. Ok, eu pensei. Aí tudo bem, ela usava uma mochila rosa bebê. EXATAMENTE do mesmo tom que a blusa. E exatamente do mesmo tom das minhas meias. Cheguei até a me lembrar do rosa palidíssimo do vestido da mulher daquele cara famoso. E da ex-mulher daquele cara famoso. Na coluna da Danuza. Que ontem, por sinal, usava rosa. E que casou com o Samuel Wainer, que curtia ros… não, ele não.

 

Os ipês do meu prédio estão cor-de-rosa. Tem um porco rosa em cima do meu teclado, o menininho na minha folha de fichário usa rosa e a fadinha rosa briga com a azul até o vestido ficar violeta… Ok, acho que pensar muito em rosa à uma da manhã não é saudável. De qualquer forma, a meia – branca – que eu estou usando agora tem o desenho de uma flor rosa.

 

Tudo é pink³. Agora só falta o “love at first sight” do Aerosmith pra completar.

 

 

maio 8, 2008. Uncategorized. Deixe um comentário.

Meu computador pensa que é um grilo.

Trilha Sonora: Doidão – Rock Rocket

 

É, é isso mesmo que você leu. Hoje fui ligá-lo como sempre, sabe. Quem iria imaginar a reviravolta que estava prestes a acontecer!

 

Tomada, estabilizador, CPU. Todas as luzes acenderam bonitinhas. Espero a tela inicial carregar, eu apareço bebê no meu papel de parede, tudo muito certo. MSN, Orkut, e-mail, músicas do David Cook. Tudo muito lindo.

 

Mas eis que de repente, não mais que de repente, meu computador começa a fazer uns barulhos iguais aos de um grilo – cri…cri…cri… Turning point na história, minha gente! Estranhei. Fechei todos os programas abertos. Cri…cri…cri…

 

Passei o anti-vírus, porque já estava precisando mesmo. Nossa, 3 Cavalos de Tróia, tudo preocupante. Foram capturados e devidamente deletados. Cri…cri…cri…. Reiniciei tudo. Cri…cri…cri…

 

Mandei um e-mail pro meu irmão: “olha, o pc tá doidão, tá fazendo barulho de grilo…” Assim que eu cliquei no enviar, o que acontece?? Que “cri cri cri” que nada! Ficou mudinho! Acho que ele percebeu que eu percebi.

 

Meu irmão me liga de volta: “como assim?”, e eu respondi “tava fazendo barulho de grilo, mas agora parou”. Ele respondeu “hum, que estranho… esse computador deve estar todo bichado”.

 

Bichado ele está mesmo, se ele pensa que é grilo, ora pois! E não é que quando eu já tava me esquecendo do acontecido ele se arrisca de novo? Cri…cri…cri… Parei a música de novo pra ouvir melhor. Cri…cri…silêncio. Pelo visto ele estará sempre alerta a partir de agora.

 

Resumindo: meu computador esquizofrênico³ está com mania de perseguição, pensa que é grilo e está sempre alerta como um escoteiro! E eu que achava que só eu e minhas amigas que estávamos com crise de identidade! Vai um Gardenal aí??

maio 5, 2008. Uncategorized. 11 comentários.

Nós, Mulheres Corretas

Trilha Sonora: R-E-S-P-E-C-T – Aretha Franklin

 

Ai Ju, ontem eu saí com o Zequinha. Ele é tããão lindo!”

“Sério? Ah, mas o Zezinho também é superfofo…”

 

Gente, fala sério! De repente o mundo inteiro começou a namorar. Lembra daquela menina que estudou com você no colégio há anos atrás? Ele tem namorado, apareceu no Orkut. E a Suzy do inglês? Também. A faculdade nem se fala né, só você não tem um cara lá.

 

E o que nós temos de errado? É o que eu me pergunto todos os dias enquanto eu passo os meus intervalos escutando as meninas contarem sobre os finais de semana ma-ra-vi-lho-sos ao lado dos namorados, ficantes, companheiros e o que mais há de possível. Será que eu sou chata? Feia? Gorda? Mas caramba, mesmo se eu for tudo isso eu não mereço um cara legal?

 

Nós, mulheres corretas, não somos recompensadas. Pelo menos é o que parece. A gente se produz, sai com as amigas pra conhecer gente nova e se encanta por aquele garoto ali do fundo. Chega perto e puxa conversa. O papo flui. Mas um mês depois o que acontece? Ele arranja uma namorada. A gente sai de balada sem acreditar em amores lá dentro. Impossível porque ele engata uma série de cantadas baratas que se desistir de você, vai falar exatamente a mesma coisa pra mulher de trás.

 

A gente não pede um cara alto, bonito, com o sorriso mais encantador do mundo, com a melhor conversa que existe, que dê inveja nas nossas amigas. Não! Porque se nem os plebeus aparecem na nossa corte, quem diria os príncipes encantados. A gente só quer um cara legal, que nos respeite, que nos dê atenção, que nos valorize pelo que nós somos, que nos faça companhia no frio e que nos leve pra passear. Não precisa ser rico e nem levar em lugares chiques. Nem precisa ser bonito, pode ser comum. Contanto que nos faça feliz.

 

O que será que precisamos fazer? Abdicar da nossa vida de mulher correta? Cair na night e pegar vários? Parar de ser difícil e ver sua porcentagem decrescer absurdos no teste de pureza? Talvez. Mas isso não está certo, gente.

 

Chega de Ju falando do Zequinha, da Suzy e da menina do colégio. Tá na nossa hora. E nem vem com essa história de mudar o comportamento. Vamos ser nós mesmas e continuar vivendo da nossa forma. Quem sabe o bobo da corte não aparece?

maio 3, 2008. Uncategorized. 1 comentário.

“E ninguém dirá que é tarde demais”

Trilha Sonora: Último Romance – Los Hermanos.

 

A Julieta tem o Romeu. A Rachel tem o Ross. A Bela Adormecida tem o Príncipe Filipe. A Rose tem o Jack. A Gabrielle tem o Troy. A Bela tem a Fera. A Juno tem o Bleeker. A Hildy tem o Walter. A Mônica tem o Eduardo. A Lisbela tem o Prisioneiro. A Amélie Poulain tem o Nino Quincampoix.

 

Vivian não levava uma vida regrada e tem Edward (ser uma linda mulher ajuda). Ilsa sempre terá Paris com Richard. Andie Anderson tentou perdê-lo em 10 dias, mas tem Benjamin Barry. Kathleen Kelly tem Joe Fox porque ela tinha e-mail novo. A Chuck tem o Ned, apesar de nunca poder tocá-lo. Uma senhora faz com que o velhinho da música tema deixe transparecer seu amor até lendo jornal na fila do pão.

 

Você, caro(a) leitor(a), deve estar se perguntando “e…?”. Pois bem. Todos esses casais clássicos serviram de embasamento para uma teoria que eu e uma amiga elaboramos. Seguinte, agora que você já leu os dois parágrafos acima e com certeza teve reações do tipo “ownnn!” e “ahhh!”, releia. Só que dessa vez analisa uma coisa: a idade desses casais.

 

Não entendeu? Repara bem. Temos meninas (Bela Adormecida, Gabrielle, Rose) e temos mulheres (Hildy, Ilsa, Rachel). Onde estão as jovens de 18 a 25 anos nessa história??

 

E é aí que entra a teoria. Se você está incluído(a) nessa faixa etária e se sente mal amado, traído ou encalhado, não se desespere! Você – assim como eu – está sofrendo aquilo que chamamos de “período das trevas comprovado pelo padrão Hollywood”. Bonito, heim?

 

Trocando em miúdos: ou você encontra sua metade da laranja naquela fase adolescente, de primeiro amor, ou espera que agora só depois dos 25, quando você estiver bem estabelecido na carreira, se sustentando sozinho, amadurecido. Nem que isso signifique – e significa, na maioria das vezes – desistir, se conformar em ficar pra titio. E aí que é mais legal, o fator inesperado. Convenhamos: o filme O Amor não tira férias não é bem mais emocionante e “real” do que As Patricinhas de Beverly Hills?

 

Já que não me encaixo no primeiro grupo, vou é pensar em mim e esperar passar a fase ignorada pela sétima arte – esta fase não leva a nada, não se faz um blockbuster desta fase porque todo mundo sente que é embuste, não cola, não dura. Se até Hollywood percebeu que isso é normal, que isso passa, ahh isso me acalma!

 

Ok, eu sei que muita gente (ou não, porque as poucas pessoas que vêm aqui estão procurando “banheiro”) vai pensar: “ah não é assim…”. Bom, minha teoria pode ser só uma ilusão confortável, claro. Mas não é que ela tem lógica?

maio 2, 2008. Uncategorized. 1 comentário.