D.R.

Trilha Sonora: Cry For You – September

Vamos discutir a relação? Não não, nem vem com essa cara de “Mas que coisa chata”. Posso falar? Foi tudo culpa sua. Foi mesmo e você sabe disso. Tá bom, eu te olhei primeiro e pensei: “Nossa, que bonitinho”, mas isso não vem ao caso. Nunca pensei que sairíamos dessa paquerinha saudável. E quem resolveu colocar as garrinhas de fora foi você, meu bem.

Você foi o primeiro a puxar assunto. E foi simpático, mas é assim mesmo. Somos pessoas educadas e não tínhamos motivo algum para nos tratar de outra forma. Foi aí que começamos a descobrir como tínhamos coisas em comum. Mas naquela época, eu gostava de outro e você não tinha a menor intenção de ter algo comigo. Ou tinha?

Não, não quero ouvir a sua voz. Fica quietinho que quem vai falar hoje sou eu. Me explica porque depois de um ano você reaparece do nada, em um sábado a noite, e começa a falar coisas que você nunca tinha falado antes? Era brincadeira né? Também pensei que sim, talvez seja por isso que eu me rendi aos seus encantos. Só que no dia seguinte você voltou a tocar no assunto, no outro dia também e assim foi. Por meses.

Eu sou bobinha e você sabe disso. Passava por uma fase difícil e disso você não fazia idéia. Não passava nem pelo seu pensamento o quanto aquilo tudo significava para mim. Já não era mais brincadeira, vai? Estava ficando sério. Eu tinha perdido totalmente a vergonha do seu lado e pensar que éramos quase como amantes… Só que aquela vontadinha normal que eu tinha ficou intensa.

Então chegou o dia de botar as nossas conversas em prática. Não vem fazer cara feia, queridinho, não vou deixar você falar hoje. Me pergunto até hoje se você sentiu o que eu senti. As vezes acho que sim, as vezes não. E quer saber? Já não me importa mais. Amor, você se queimou sozinho. Achou que ficaríamos para sempre conversando e nos provocando? Não. Talvez para você isso seja um costume, mas não para mim. E também não sei por que me preocupo tanto com isso, talvez por sermos tão telepáticos um com o outro.

Mas agora chega! A fila vai andar, benzinho. Pode levantar desse sofá. Levanta logo, caramba! Pega suas coisas lá em cima, mas não demora. Leva tudo, desde as roupas até as lembranças ruins. Deixa só as coisas boas e saudáveis que não vão mais causar dor. Pegou tudo, querido? Sim? Então volta aqui. Antes de você ir quero que você saiba que eu vou lembrar sempre de você. Você sabe quais são os nossos maiores problemas e se eu não te deixei falar é porque não quero cair de novo na sua conversa. A vida não se resume àquilo que fazíamos e fizemos, embora tenha sido realmente bom. Vou me preocupar agora comigo e só comigo. Espero que você faça o mesmo.

Adeus, Amor. Até um dia, não sei quando, mas até um dia. Quem sabe a gente não se esbarra por aí né?

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julho 23, 2008. Uncategorized. 5 comentários.

À primeira vista

Trilha Sonora: I Consume you – Rediscover

 

Estava com minhas amigas passeando no shopping quando o vi. Atração instantânea, paixão à primeira vista, se preferir. Já senti algo parecido outras vezes, mas não com aquela intensidade – vontade de tocar, de possuir, de estar junto quando tivesse vontade.

 

Me aproximei. Vi que outras garotas olhavam com a mesma faísca no olhar, que até apontavam para comentar com outras. Outras ainda observavam como se fosse um simples objeto. Puro charme. Parado, fazia o intenso de seu negro olhar chamar a atenção entre os outros que estavam ali.

 

Não tive coragem para tentar um contato maior. Isto foi no final de maio. Por várias vezes me peguei pensando naquele momento com certo arrependimento. Por outras, quando percebia, já estava procurando-o com o olhar. Teria perdido uma chance única na vida? O tempo passou e eu conseguia passar semanas sem pensar no que havia acontecido. Mas esquecer totalmente? Nunca.

 

Então ontem, quando menos esperei, ao entrar em outro shopping, o sentimento veio à tona com toda força. Será? Estaria ali mesmo, discreto, escondido, praticamente como um sonho de consumo?

 

Dessa vez, não pensei duas vezes. Não poderia ser coincidência este reencontro, só podia ser obra do destino! Cheguei perto com passos rápidos. Sorri. Desta vez não se destacava entre os outros, estava até um pouco alheio à confusão que se dava à sua volta. Ainda assim, emanava para mim a mesma magia de meses atrás. Puxei-o delicadamente, envolvi em meus braços. “Você ficará comigo a partir de agora”, pensei.

 

Mal acreditei quando vi que ali era a prateleira da liquidação e que estava com 50% de desconto! Hoje sou feliz com a bolsa que comprei e… é ué, o objeto a que eu me referia era uma bolsa… o que vocês estavam pensando??

julho 12, 2008. Uncategorized. 2 comentários.

“No escurinho do cinema…”

Trilha Sonora: Flagra – Rita Lee

Fui no cinema ontem ver Agente 86 com meus pais. Programa bem família, lindo, com direito a uma discussão “ahh eu quero a promoção que vem a sacola do Sex and the City” e, como resultado, a compra de um Mentos de frutas. Mas isso não vem ao caso.

Já na fila reparei. Havia um casal. Ela com blusa de balada, escova no cabelo, óculos de armação verde, bolsa a tiracolo. Ele com regata branca (uiquenojodiga-sedepassagem), bermuda e mochila. Conversavam animadamente sobre um amigo enquanto esperavam a fila andar. A fila andou, compraram, entraram.

Comprei minha entrada, entrei na sala, escolhi o meu lugar cuidadosamente à procura do ângulo perfeito de visão da tela – mudando de lugar 2 vezes até não ficar satisfeita, e sim até ser obrigada pela minha mãe (“sossega e senta de uma vez, menina”). Sentei e descobri o motivo pelo qual eu não achava o lugar que eu gosto, localizado na fileira da frente: o tal casal estava lá.

Garota – “Cara, nem sei!! Sério, não sabia o que fazer!”

Garoto – “Eu acho que devia ser assim, véio!”

Apagaram-se as luzes, começou o filme. Ela deita no ombro dele. Ele passa o braço em volta dela. Dez minutos depois, começam a se agarrar loucamente. O filme todo. E fazendo barulhos ( ! ), intercalando um “te amo” vez ou outra.

Acaba o filme.

Garota – “Manoo, acabou o filme”

Garoto – “Então vamos” – levanta e sai sozinho, enquanto a menina, sentada, arruma o cabelo.

Ahh o amor… ¬¬

julho 1, 2008. Uncategorized. 1 comentário.